Desempregado, Joel Santana "corneta" o

futebol brasileiro com exclusividade ao R7

Ex-técnico do Botafogo apostou no sucesso de Adriano, defendeu Jobson e revelou “sonhos"

Paulo Amaral, do R7
Fábio Castro/Agif/Gazeta Press
Fábio Castro/Agif/Gazeta Press

A prancheta é a grande amiga do treinador, e não saiu do seu lado nem na despedida

do Botafogo


Joel Santana é, definitivamente, uma figura singular no mundo do futebol. Conhecido no meio dos jogadores como “Papai Joel”, por sua forma carinhosa de tratar com os atletas, o treinador é visto como folclórico pela mídia.

A inseparável prancheta que usa nos treinos e jogos, e a impagável passagem pelo comando da seleção sul-africana, na qual teve de conviver com a imprensa internacional e difundir seu inglês “very” fluente nas coletivas, são marcas na carreira de Joel.

Desempregado desde o último dia 22 de março, quando pediu demissão do Botafogo, o treinador está aproveitando o tempo para descansar com a sua família e ouvir propostas. Nesta semana, dedicou parte do dia para conversar com a reportagem do R7 e literalmente abrir seu coração.

Joel garantiu não ter plano nenhum para o Campeonato Brasileiro, mas, ao mesmo tempo, afirmou “receber propostas a todo momento” e, de quebra, revelou, em primeira mão, em quais clubes sonha dar sequência à carreira.

Sem vínculo com qualquer clube, o técnico ficou bem à vontade para falar sobre praticamente tudo: desde os motivos que o levaram a sair do Botafogo – “o futebol brasileiro não sabe prorrogar o amor” – até às voltas de Luis Fabiano e Adriano ao futebol brasileiro. E apostou que o novo camisa 10 do Corinthians “será um monstro”.

Acompanhe a seguir a descontraída entrevista com “Papai Joel”, e divirta-se.

R7 – Sua saída do Botafogo pegou todo mundo de surpresa e disseram que era por causa de um convite do Fluminense. Afinal de contas, por que você saiu de lá?

Joel Santana – Não conversei com ninguém do Fluminense. Nem antes e nem agora. Tive um desgaste no Botafogo: romântico, amoroso. Isso acontece. O futebol brasileiro não sabe prorrogar o amor e as coisas se destroem. Acabou o encanto. Só isso.

R7 – O Muricy Ramalho saiu do Fluminense e pediu um prazo de 30 dias para descansar antes de se sentar para conversar com outros clubes. Você também quer um mês de férias ou está pronto para voltar ao batente?

Joel - Trinta dias é pouco. É preciso uns 60, cara, pois essa vida é muito cansativa. O Muricy é um cara adorável. Adoro o Muricy.

R7 – Você está no mercado há uns dez dias. Já recebeu alguma proposta ou até agora ninguém te procurou?

Joel - Convite a gente recebe toda hora, mas é como aquele carro bom da fórmula 1. Chegar, eles chegam, mas passar é outra coisa.

R7 – Além de você, há outros bons técnicos, como o Adilson Batista, esperando para trabalhar no Campeonato Brasileiro. Quais seus planos para esse torneio?

Joel - Não tenho plano nenhum. Estou em casa, tranquilo, e esperando o que vai acontecer.

R7 – Mas há algum time em que você ainda não tenha trabalhado e que gostaria de dar continuidade à carreira? Quais são eles?

Joel
- São Paulo, Palmeiras, que é um grande clube. Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio. Ainda vou trabalhar em algum deles. Eles gostam de ganhar e eu também.

R7 – Aproveitando que você citou alguns grandes clubes do país, dê sua opinião: qual é o melhor elenco do Brasil hoje?

Joel
- Melhor elenco é difícil. O Inter tem um bom elenco, o São Paulo tem um bom elenco, o Corinthians está muito bem e, aqui no Rio, o Fluminense é espetacular.

R7 – São Paulo e Corinthians ficaram ainda mais fortes com as chegadas de Luis Fabiano e Adriano, não? O que achou da volta deles e o que pode dizer do Adriano no Corinthians: ele vai dar certo lá?


Joel
- A volta do Luis Fabiano é algo maravilhoso, pois vai enriquecer o futebol brasileiro. Ele tem carisma e o São Paulo vai chegar muito forte. O Adriano é o Adriano. Um monstro. Claro que vai dar certo no Corinthians. É um jogador de massa e, se deu certo no Flamengo, vai dar no Corinthians. As torcidas são iguais e ele sabe conviver com isso. Por isso é tão grande, um monstro.

R7 – Para finalizar, queria que você falasse um pouco sobre o Jobson, que pediu para sair do Atlético-MG. Do que ele precisa para mostrar seu potencial e por que ele não deu certo no Galo?

Joel –
É difícil falar por que ele não deu certo, pois eu não estava lá, mas o Jobson é um menino muito bom. Se voltar ao Botafogo com a cabeça no lugar, tem que ser recebido de braços abertos. Ele merece carinho, amor e paixão. Se deixarem jogar o que sabe jogar, ele endireita qualquer time.

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