Preço do álcool tem pior relação
com o da gasolina desde 2003
Desde janeiro compensa mais encher o tanque com gasolina, segundo a Fipe
Thinkstock/Getty ImagesEtanol deve ficar mais barato em abril com o início da colheita da safra de cana-de-açúcar no país
A diferença de preços de um para o outro no mês passado ficou em 78,1%. Trata-se do maior resultado da série desde o fim de 2003.
O motorista consegue descobrir qual combustível compensa ao dividir o preço do álcool pelo da gasolina. Se a conta gerar um número abaixo de 0,70, compensa abastecer com etanol. O cálculo se baseia no poder calorífico do motor a álcool, que equivale a 70% do encontrado nos motores a gasolina. A forma de dirigir e o modelo do veículo influenciam no consumo de combustível do carro.
Para Antonio Evaldo Comune, coordenador da pesquisa do IPC da Fipe, os transportes foram responsáveis por metade da inflação de março. Os vilões foram justamente a gasolina e o álcool.
- O álcool deu, sozinho, a maior contribuição para a formação do IPC [Índice de Preços ao Consumidor]. A gasolina deu a segunda maior [contribuição], porque tem álcool na mistura. O álcool já não vale a pena desde fevereiro. Hoje vale abastecer nos postos de São Paulo com gasolina.
Essa desvantagem já havia ocorrido na capital paulista neste ano em janeiro, quando o número era de 69,9%, dando vantagem ao álcool em vez da gasolina. Já em fevereiro o resultado ficou em, 71,3% - com vantagem para a gasolina.
No Estado de São Paulo, que concentra quase 60% do consumo de etanol, o preço o álcool sai por R$ 2,11, em média, enquanto a gasolina custa R$ 2,57. Os dados são da ANP (Agência Nacional de Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis).
Segundo a Fipe, o álcool representou 17% do resultado final do IPC de março. A gasolina teve outros 14% de participação. O preço da gasolina subiu porque o combustível tem 25% de etanol em sua mistura.
- A boa notícia é que a safra [da cana-de-açúcar] já vai começar e deveremos ver queda de preços a partir de abril. Esse movimento de barateamento do álcool normalmente dura até o terceiro trimestre e no fim do ano o preço sobe de novo.
Andar de carro na cidade ficou 1,52% mais caro, enquanto o transporte público aumentou 0,65% devido aos reajustes de preço dos bilhetes de Metrô.
Inflação
Seis itens foram responsáveis por 66% do aumento de preços no mês passado: aluguel, tomate, tarifas de Metrô e contratos de assistência médica – além do álcool e da gasolina. A pesquisa considera mais de 450 itens.
O IPC da Fipe ficou em 0,35% no mês passado. Somente os alimentos e os gastos com vestuário tiveram aumentos de preços entre a pesquisa de fevereiro e a de março. Os outros cinco grupos de gastos diminuíram de custo ou subiram menos de preço do que um mês antes.
A pesquisa da Fipe leva em conta os preços dos produtos na capital paulista para famílias com renda entre um e 20 salários mínimos (R$ 540 e R$ 10.800).
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